Miss Universo: sonho que perdura há quase sete décadas

10/12/2017

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Domingo, 10 de Dezembro de 2017 - 08:05


por Roberto Macedo


Miss Universo: sonho que perdura há quase sete décadas
Las Vegas, a cidade do pecado, foi o palco escolhido para sediar a 66ª edição do maior concurso de beleza do planeta: o Miss Universo que aconteceu recentemente no dia 26 de novembro. Criado em 1952, por enquanto só conta com candidatas da Terra, mas a eleita nesta edição, a sul africana Demi-Leigh Nel-Peters, é tão linda de provocar a admiração de qualquer terráqueo ou tripulante de um disco voador! 


Demi tem 22 anos, é de Johanesburgo/Áfica do Sul e formada em administração. Logo após a eleição como a mais bela do país, sofreu uma tentativa de sequestro, crime muito comum por lá. A bela deu um golpe no sequestrador e conseguiu se safar. A vingança veio pela atuação: criou um programa social que ensina defesa pessoal para mulheres e como superar situações de vulnerabilidade. Com essa folha de vida, a sul africana logo chamou a atenção. Mas, não foi a única. A jamaicana Davina Bennett, terceira colocada e uma das grandes favoritas da plateia do Teatro Axis, no suntuoso Planet Hollywood Resort & Casino, trabalha com treinamento, qualificação e promoção de pessoas surdas. A anfitriã, Kara McCullough, é cientista da Nasa, enquanto a representante brasileira, a negra piauiense Monalysa Alcântara, luta pela igualdade de oportunidades para todas as brasileiras, de qualquer cor de pele. Entre as candidatas havia engenheiras, médicas e profissionais das mais variadas áreas. Ou seja, os concursos de beleza há muito tempo acompanham a evolução das mulheres e hoje servem de plataforma para o lançamento delas nas mais diversas profissões. Não é coincidência que a atual Mulher Maravilha, Gal Gadot, representou Israel no Miss Universo 2004, no Equador. 



A festa da beleza sem Donald Trump 


O atual presidente dos EUA foi o dono do concurso de 1997 a 2014. Sob a sua batuta o concurso foi revigorado e viajou pelo mundo, tendo algumas sedes antes inimaginadas, como o Vietnã e a Rússia. Ao sair candidato à Casa Branca, fez duras críticas contra os imigrantes mexicanos e houve reação: A NBC, que transmitia o concurso, rompeu o contrato e o México e diversos outros países americanos anunciaram que se retiravam do certame. Não restou ao magnata outra saída senão vender os três concursos do sistema, como dizem nos EUA, que são o Miss U, o Miss USA e o Miss Teen USA. As cifras são secretas. A compradora foi a poderosa WME/IMG, do empresário William Morris Endeavor, uma das maiores agenciadoras de modelos e talentos do mundo e produtora de espetáculos, entre eles as lutas do UFC e 32 Fashion Weeks ao redor do mundo. 


Com a nova direção o concurso teve Las Vegas como sede em 2015 e se notabilizou pelo erro infame do apresentador Steve Harvey no momento final, quando anunciou que a vencedora era a colombiana Ariadna Gutierrez para logo depois pedir desculpas e coroar a filipina Pia Wurtzbach. No ano passado o concurso foi realizado em Manila e o Brasil teve na baiana/paranaense Raissa Santana uma das semifinalistas, com a coroa indo para a francesa Iris Mittenaere. 


Este ano a festa voltou a Las Vegas, novamente com Steve apresentando e tendo como atrações musicais Fergie e Rachel Platten. Diz-se que o concurso acontece na Sin City quando fracassam todas as negociações com outras interessadas para sediar o evento, como houve agora com Honolulu e Phoenix. Numa eterna festa, Las Vegas não se preocupa e nem se lembra que recentemente foi palco do maior atentado da história dos EUA, quando 59 pessoas foram mortas por um franco atirador e mais de 500 feridas. 


O sucesso do negócio da beleza 


Calcula-se que somente nos EUA os concursos de beleza movimentam 10 bilhões de dólares por anos. O Miss Universo se insere nesse contexto batendo recordes. Neste ano foram 92 candidatas, o maior número da história, com Laos, Nepal e Camboja fazendo a estreia. O Iraque enviou sua segunda candidata 45 anos depois e sua família sofreu ameaças por causa do desfile em traje de banho. Foi transmitido pela Fox para 192 países – aqui no Brasil a TNT mostrou ao vivo e a Band gravou, exibindo logo depois. Explica-se a diferença entre os números porque muitas nações que não concorrem transmitem o espetáculo, notadamente a grande maioria dos países árabes e africanos.



Em Vegas as candidatas participaram de passeios, jantares e festas, além de ensaios, muitos ensaios, exaustivos ensaios. Não pode ocorrer qualquer erro na noite final. Alguns reclamaram que o concurso não teve uma programação prévia tão rica como em outros anos, mas a capital do espetáculo mundial oferece grandes atrações não somente para as misses, mas para todos os gostos. Nesses dias pude ver shows de Cher, Celine Dion e escolher entre oito espetáculos do Cirque du Soleil que estão em cartaz. Optei por Le Reve-The Dream, no Hotel Wynn Casino, que não é do Cirque, mas é como se fosse. Realizado todo dentro d’água, considero o show mais lindo que já vi em toda a minha vida. No mais, era interagir com as rainhas da beleza e ouvir especialistas, diretores e ex-misses, na cobertura para o site Miss News (www.missnews.com.br). 



A nova rainha é uma branca africana


Demi-Leigh Nel-Peters é a nova rainha da beleza universal. Favorita desde o primeiro momento, não acreditei que pudesse vencer devido à pouca altura. O que se configura num preconceito, pois já houve muitas vencedoras com menos de 1,65m e recentemente, em 2012, a eleita Olivia Culpo tinha apenas 1,66m. Imagens bem distantes da trinitina Wendy Fitzwilliam (1,82m), vencedora de 1998 e que estava no júri. Existem várias versões sobre a altura da sul-africana, mas acredito que não deve passar de 1,65m. O corpo é perfeito e, muito importante, é extremamente simpática. Ela conquista cada um no primeiro momento pelo seu magnetismo pessoal. Demi teve problemas logo depois de eleita Miss África do Sul porque usou luvas numa visita que fez a um orfanato com crianças portadoras do HIV. Foi explicado, então, que aquele era um comportamento obrigatório quando se maneja alimentos para aquelas crianças. A nova Miss Universo declara que sua inspiração é a irmã de 10 anos com necessidade especiais, pois nasceu sem parte do cérebro. Na semana que passou Demi Peters apareceu em todos os principais programas na TV norte-americana e foi anunciado seu primeiro compromisso internacional: uma viagem às Filipinas com a eleita do ano anterior e várias colegas de concurso para participar de um fashion show.


 


É o começo para espalhar pelo mundo o seu discurso que começou na noite final do concurso: “ Como Miss Universo temos que ter confiança em quem somos. E como Miss Universo terei que superar os meus medos e poder ajudar os outros a superar os seus. Se as mulheres derem as mãos e ficarem juntas, nós somos inquebrantáveis. Podemos dizer não às coisas que estão erradas no ambiente de trabalho, em casa e aonde formos”. A África do Sul festeja seu segundo título, 39 anos depois da primeira eleita, a também branca Margaret Gardiner. O presidente Jacob Zuma telefonou para a sua conterrânea dando os parabéns. 


A segunda colocada foi a colombiana Laura Gonzalez, seguida da jamaicana. Completaram o top 5 as candidatas da Tailândia e da Venezuela. A brasileira Monalysa Alcântara ficou no top 10, juntamente com as Misses Espanha, Filipinas, EUA e Canadá. No top 16 estavam as Misses China, Croácia, Gana, Grã-Bretanha, Irlanda e Sri Lanka.



Brasil e Bahia: 50 anos sem vencer 


No próximo ano o Brasil completará 50 anos sem ganhar o título de Miss Universo. A última foi a baiana Martha Vasconcellos, que receberá diversas homenagens por esse cinquentenário. Estão programadas condecorações da Assembleia Legislativa da Bahia e da Câmara de Vereadores de Salvador. Outros eventos marcarão a comemoração. Quando foi eleita, o prefeito da capital baiana era Antônio Carlos Magalhães, que deu o nome da miss ao viaduto de Aquidabã. Coincidentemente, o prefeito hoje é o seu neto com mesmo nome. Martha foi também a última Miss Bahia a vencer o concurso nacional. Será que esses jejuns serão quebrados em 2018? 


Roberto Macedo é Jornalista, assessor de imprensa e missólogo - especialista que pesquisa sobre os concursos sob os mais variados prismas: sociológico, antropológico, político e histórico.


@macedobahia


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