Tradicional no Miss Universo, Venezuela debate se deve participar do concurso

11/08/2017

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Em tempo de crise, ex-misses afirmam que dificuldades do seu país são mais importantes

POR AP 11/08/2017 8:00 / atualizado 11/08/2017 15:59


Miss Universo Gabriela Isler, da Venezuela, após vencer a coroa do concurso em 2013, em Moscou, na Rússia; a Venezuela tem sete coroas do Miss Universo e é o segundo país com o maior número de rainhas da beleza, atrás apenas dos Estados Unidos. - Pavel Golovkin / AP


MIAMI — Elas foram embaixadoras internacionais da beleza venezuelana e se orgulham disso. Porém, Alicia Machado, Maritza Sayalero, Stefania Fernández e Bárbara Palacios concordam: a Venezuela está em crise e não é oportuno agora falar de concursos como o Miss Universo. Ainda faltam vários meses para o próximo concurso, mas as redes sociais têm sido cenário, nos últimos dias, de um debate sobre a participação da Venezuela no Miss Universo, num momento em que o país passa por crescentes tensões internas. A maioria das pessoas envolvidas no concurso estão em silêncio, com exceção de algumas de suas rainhas, que pensam que, nas atuais circunstâncias, isso não é uma prioridade.


— Um concurso de beleza é a coisa mais superficial que existe na face da terra para a Venezuela. É uma perda de tempo prestar atenção nisso — diz Machado, Miss Universo em 1996, à Associated Press. — O país está imerso num desastre nacional. Não temos absolutamente nada para estar celebrando. O país está fora de controle.


A Venezuela, que, com sete coroas, é o segundo país com mais vencedoras do Miss Universo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, tem feito da beleza um culto. Os seus cidadãos, independentemente da sua posição política, enchem-se de orgulho cada vez que se fala da beleza de suas mulheres. Mas, o assunto do país sul-americano tem sido a crise econômica e política — que reflete, dentre outras coisas, numa inflação crescente e na escassez de alimentos e remédios, além de protestos quase permanentes contra o presidente Nicolás Maduro. A oposição e dezenas de governos estrangeiros acusam o presidente de tentar agir com poder praticamente ilimitado e privar a Venezuela dos últimos vestigios de democracia.


— É uma tragédia. Não participar do Miss Universo é o menos importante, o menos transcedental — expressou Machado, que também é atriz em Los Angeles, onde participa como jurada no programa de talentos da Telemundo “Grande Oportunidade”.


PARTICIPAÇÃO NO CONCURSO NÃO ESTÁ CONFIRMADA


No final de julho, a hashtag #MissVenezuela foi tendência no Twitter, com mensagens que falavam de uma possível saída da Venezuela da competição. Até agora, porém, nenhum organizador ou autoridade revelou se a Venezuela tem considerado mesmo não participar, apesar dos debates gerados nas redes. Procurados pela AP, coordenadores e membros da organização Miss Universo não quiseram comentar a situação.


Continuando na competição, a Venezuela seria representada na 66ª edição da Miss Universo por sua atual rainha da beleza nacional, Keysi Sayago. Nas ruas da capital venezuelana, há quem incentive a participação de seu país no maior concurso de beleza internacional, apesar do contexto político e social.


— O concurso de Miss Universo e outros concursos são uma maneira de nos distrairmos — diz José Hernández, vendedor de uma loja de acessórios femininos em Caracas — Vai ser muito triste para os venezuelanos se, neste ano, não pudermos ver uma compatriota nesse concurso, depois de competir tantos anos e ganhar tantas coroas.


Embora a Venezuela não tenha participado do Miss Universo em vários anos da década de 1950, desde 1960 o país não esteve fora da competição, destacando-se não só com as sete coroas, mas com dezenas de finalistas. Stefanía Fernández, Miss Universo em 2009, disse que lamentaria se Sayago, atual Miss Venezuela, não pudesse representar seu país na competição internacional. Porém, admitiu:


— A Venezuela não está em condições de falar de concursos de beleza. A gente não tem cabeça para pensar nisso, e sim em como me levanto hoje para conseguir o pão de cada dia — expressou a jovem de 26 anos, que vive em Bogotá e de lá incentiva campanhas de arrecadação de alimentos e medicamentos para os seus compatriotas.


O Globo, Rio de Janeiro, 11.08.2017


https://oglobo.globo.com/mundo/tradicional-no-miss-universo-venezuela-debate-se-deve-participar-do-concurso-21693049


 



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