SESSÃO NOSTALGIA – Roberto Macêdo, Rachel de Queiroz e a polêmica sobre um padrão de beleza para o concurso Miss Brasil

02/08/2017

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sábado, 2 de agosto de 2014


SESSÃO NOSTALGIA – Roberto Macêdo, Rachel de Queiroz e a polêmica sobre um padrão de beleza para o concurso Miss Brasil


Daslan Melo Lima


PRÓLOGO


A eleição de Anne Lima, Miss Caetité, como Miss Bahia 2014 causou celeuma na terra natal de três ícones da beleza brasileira, Martha Rocha (Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954); Maria Olívia Rebouças Cavalcanti (Miss Bahia, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1962); e Martha Vasconcellos (Miss Brasil e Miss Universo 1968). Estaria Anne Lima dentro ou fora dos padrões para disputar o título de Miss Brasil? 


Ao abrir espaço para o assunto nesta secção, não tenho outro objetivo a não ser que os debates sobre o tema desaguem num mar de tranquilidade. Minha paixão pelas Misses vem de uma época em que, ainda menino, via o Brasil parar para saber quem seria sua rainha da beleza, num interesse similar ao da Copa do Mundo Fifa. Os valores e os objetivos de hoje são outros, mas certas coisas poderiam prevalecer acima dos egos: bom senso, respeito, coerência, gratidão, fé em Deus... Quase sempre, estou a cultuar as deusas e os concursos do passado. Vivo na ilusão de que as beldades modernas possam ser ícones como as marthas, teresinhas, adalgisas e iedas de ontem. Quase sempre, estou a fantasiar missólogos, coordenadores e organizadores em harmonia, em nome da minha paixão pelas Misses. O menino que fui tem receio de perder o encanto total por essa paixão, assim como um dia perdeu por fadas e duendes.


ROBERTO MACÊDO CONTRA O PADRÃO DA MAGREZA EXCESSIVA


 


No dia 28 de julho, sob o título “Contra o padrão da magreza excessiva”, o jornalista baiano Roberto Macêdo postou o artigo abaixo na sua página do Facebook.


A polêmica que se instaurou nas redes sociais depois da eleição da nova Miss Bahia traz de positivo a possibilidade de as pessoas discutirem padrão de beleza (será que existe?). De negativo, a troca de ofensas e as brigas sem necessidade. Fui procurado por um jornalista para dar a minha opinião, e parece que é preciso desenhar, pois alguns poucos não entenderam o que eu falei. É a figura do já conhecido analfabeto funcional – sabe ler, mas não sabe interpretar. Nada tenho contra ou a favor da garota eleita. Não a conheço pessoalmente, nunca a vi, assim como não acompanhei o concurso de Miss Bahia, não o assisti, nem me interessei em ficar a par do que acontecia. Eventualmente, vi algumas coisas aqui no Facebook.



Não sei se foi justa ou se foi injusta a eleição da miss e suas princesas. O que eu coloquei, e o farei mais uma vez, é que eu sou contra essa imposição de um padrão de beleza que não condiz com a realidade. Essa magreza excessiva não é padrão em nenhum concurso de beleza mundial. Em nenhum. Nos concursos internacionais, a grande maioria das candidatas é magra. A grande maioria. Mas é uma magreza com curvas, com seios, com bumbum e com aspecto saudável. Nada que lembre a anorexia! E vejam que nem entre as top models isso é padrão. Elas são belas, magras, com curvas e aparência saudável. As de aparência anorexa são que sonham em ser top model e vivem nos castings. O que dizer de Naomi Campbell e Tyra Banks?


Muitas garotas nem teriam passado pelo Miss Brasil se esse padrão já fosse estabelecido anos atrás. Um exemplo excelente é a atual coordenadora do Miss Bahia, Gabriela Rocha, que ganhou o concurso estadual em janeiro de 2011 visivelmente acima do peso (pesquisem no Google Images). Ela foi à luta, emagreceu, teve a mão mágica de um cirurgião plástico amigo corrigindo pequenas imperfeições e fazendo uma lipoescultura (a quem foi levada pelo irmão dele, amigo nosso, que faleceu prematuramente), chegando ao Miss Brasil na forma ideal e conquistando o segundo lugar, não trazendo a coroa por conta dos “mistérios” do concurso, dada a sua inequívoca superioridade frente à vencedora e à voz do povo (que é a voz de Deus!), gritando “Bahia, Bahia, Bahia” nos momentos finais (“Plateia vaia e reprova miss eleita”: https://www.youtube.com/watch?v=WhbMIyvzelo). Acredito que as meninas deveriam se preparar antes de entrar num concurso de beleza. Em último caso, ter tempo para se preparar para o concurso nacional.


 


Gabriella Rocha e Priscila Machado


No Brasil está havendo um descompasso entre o padrão dos concursos de beleza e o gosto popular. O que queremos? Impor um padrão irreal e o concurso a cada dia perder mais e mais audiência? Com resultados (estaduais e o nacional) que muitas vezes são inacreditáveis, só caem no descrédito. É isso que estamos vendo a cada ano, com o Miss Brasil e seus congêneres despencando nos índices do Ibope. Sem audiência, os patrocinadores somem. E, assim, o que será dos concursos? A continuar desse jeito, não prevejo vida longa do Miss Brasil na Band.


Outro problema são os “ispecialistas” em diversas áreas. Antes do advento da internet, para uma pessoa se especializar em algum assunto ela estudava, frequentava cursos, eventos, pesquisava, ficava atenta acompanhando o desenrolar de qualquer coisa relacionada, etc. Hoje, com a internet e o acesso fácil à informação – nem sempre correta – há muita gente que se acha “ispecialista” em muitas áreas e discute como se tivesse doutorado no IMT!!! Quando você se aprofunda, vê que é um blefe! Tem sido assim nos concursos de beleza, com gente que ninguém sabe de onde saiu e que nunca contribuiu com nada para o mundo-miss, e de repente aparece se achando o maior “ispecialista”. Tudo na base do “achismo”! Quem é você mesmo??? Rsrsrs
Causa espanto tanta gente ser conivente com o “jeitinho brasileiro”, inclusive no mundo-miss. Reclamam tanto do país, dos políticos, e, no entanto, agem de forma bem mais inescrupulosa, aceitando e sustentando situações que deveriam ser insustentáveis. Algumas pessoas, quando têm a chance, até fazem pior o que antes reclamavam!!! Pior do que os sem caráter que pensam que têm o poder é os que se prostituem sendo serviçais dos que pensam que têm o poder.


Aviso: Na minha página, não vou permitir porcos comendo pérolas: Se algum “ispecialista” escrever aqui alguma bobagem, será deletado!


RACHEL DE QUEIROZ CONTRA O "REBANHO”


 


Por incrível que pareça, ainda no auge da época de ouro do concurso Miss Brasil, a escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) se pronunciou sobre essa questão de padrão de beleza. Encontrei no meu acervo uma matéria da famosa cearense falando de misses estereotipadas e padronização do corpo humano. Em “Última Página”, a sua coluna da O Cruzeiro, de 15/07/1961, a mais importante revista da época, ela escreveu a crônica Rebanho, abaixo transcrita, na íntegra, obedecendo à ortografia vigente naquele tempo, a fim de preservar a autenticidade documental.



O Cruzeiro, Ano XXXIII, nº 40, 15/07/1961 - Acervo DML/PASSARELA CULTURAL


Se me perguntassem qual o aspecto mais desolante da civilização moderna, eu diria que é a sua padronização. Neste mundo em que vivemos está se acabando realmente a invenção, a originalidade, a marca pessoal ou, se não acabando, pelo menos sèriamente se comprometendo.


De primeiro, todo provinciano que chegava ao Rio tinha o deslumbramento da novidade. Começava pelo povo na rua, pelas vitrinas das lojas, pela roupa das mulheres. Ah, a roupa das mulheres. A provinciana mal punha o pé no cais sentia-se uma estrangeira exótica, com a sua roupa diferente - e o sapato, o penteado, o chapéu.
Hoje, no mais longínquo sertão as môças se vestem pelo figurino de Hollywood – talvez com uns toques de Brigitte Bardot – tão igual, tão igual que dá bocejos, quando não dá risadas.


Os concursos de beleza, então. As meninas são tão estereotipadas, tão decalcadas umas pelas outras, tão estandardizadas, dentro de dois ou três tipos – loura fria, morena tropical, ruiva vibrante, que parecem bonecas saídas de uma linha de montagem – onde só variam a côr dos cabelos, dos olhos, da pele – da pele não, pois todas, brancas ou morenas, procuram ficar tostadinhas como biscoitos, o que entre parênteses é muito lindo. Nem mesmo na roupa se diferenciam. Ou antes, muito menos se diferenciam na roupa, se justamente é a roupa o elemento principal da padronização. E se fôssem só as misses. Mas ande-se em Copacabana e a impressão que se tem é que um colégio soltou as suas meninas pelas ruas do bairro sul. Tudo de blusa de listra horizontal, e calça comprida colante – ou saia branca de tergal. Os penteados, os colares, a pintura, os sapatos (agora no inverno é mocassim) são também uniformes. E note-se o traço mais curioso da coisa – elas têm prazer de se sentir idênticas, fazem questão de parecer reproduções fotográficas do mesmo modêlo, adoram ser uma unidade num rebanho uniforme. Alguma que venha diferente, mesmo elegante, mesmo bem vestida, choca – só mesmo porque é diferente.


Parece que morreu aquela preocupação feminina da originalidade, que fazia as mulheres ricas pagarem fortunas por um “modêlo” único de grande costureiro, ou as môças pobres rasgarem a página escolhida no figurino da modista, para evitar outras cópias.


E a uniformização vai se estendendo às mesas – ah, aquêle eterno arroz pilaff, aquêle suprême de frango, o sempiterno coquetel de camarões; parece que já passou da moda o strogonoff, meu Deus quantos strogonoffs cada um de nós não terá jantando na casa de um e de outro ou nos botequins de gente bem?


Será que a Humanidade está marchando mesmo para a padronização geral, será que o fim próprio do aperfeiçoamento da técnica, o progresso da indústria; o avanço danado da Ciência vai nos levar a isso? Tudo parecido, como andorinhas no fio ou misses na passarela?


Dirão os “nacionalistas” que isso é efeito da civilização americana, niveladora, sem imaginação nem originalidade. Mas, pelo que sei, os países ditos “socialistas” também adoram a padronização. Conta, até, elogiando, que na China todas as mulheres andam uniformemente de calças azuis...


A fabricação das utilidades em série é talvez a razão principal dêsse condicionamento ao uniforme, dessa renúncia ao gôsto individual, que caracteriza a nossa idade. Acaba-se o artesão, só se obtém o produto de fábrica, lançado no mercado aos milheiros e milhões. São os móveis exatamente idênticos, nos apartamentos idênticos também. As televisões, os rádios, as geladeiras de modêlo único – ou quase único. E em tudo predominando aquêle mau gôsto inalterável – que como um gás venenoso permeia todo o mundo civilizado. Passe por uma aldeia italiana, espie a sala da frente, de uma das casas, não tem que tirar Nilópolis ou Vigário Geral: a mobília em folheado, o caixão do rádio na sua mesinha, o quadro da parede, os paninhos bordados, o tapete do chão. É universal, é a internacional do mau-gôsto.


A padronização chegou agora ao corpo humano. Com a dietética, a cirurgia plástica, a ginástica - tudo vai se acomodando a um modêlo talvez ideal, sim – mas único. E as falas também se padronizam, o cordão puxado pelos locutores de rádio que desdenham as peculiaridades de pronúncia regional e recitam todos num linguajar artificial, pedante e detestável, carregado de erres, de esses, de ênfase nas tônicas.


Sei que vejo, num pesadelo, o mundo dos nossos netos – todos belos, saudáveis, mas parecidos, parecidos como gêmeos, morando em ruas iguais, em cidades iguais, vestidos de roupa igual, falando um dialeto só, feito abelhas em colmeia, térmitas no seu cupim.


Deus que me perdoe!


EPÍLOGO


Vou encerrar esta secção repetindo parte do trecho que escrevi no prólogo.
Minha paixão pelas Misses vem de uma época em que, ainda menino, via o Brasil parar para saber quem seria sua rainha da beleza, num interesse similar ao da Copa do Mundo Fifa. Os valores e os objetivos de hoje são outros, mas certas coisas poderiam prevalecer acima dos egos: bom senso, respeito, coerência, gratidão, fé em Deus... Quase sempre, estou a cultuar as deusas e os concursos do passado. Vivo na ilusão de que as beldades modernas possam ser ícones como as marthas, teresinhas, adalgisas e iedas de ontem. Quase sempre, estou a fantasiar missólogos, coordenadores e organizadores em harmonia, em nome da minha paixão pelas Misses. O menino que fui tem receio de perder o encanto total por essa paixão, assim como um dia perdeu por fadas e duendes.


***


9 comentários:


Roberto Macedo disse...
Daslan, amei! Que bom que ainda existem pessoas inteligentes a bradar contra a imposição da mesmice! Viva a inteligência! Viva o bom gosto! Viva a paixão! Viva a vida!
2 de agosto de 2014 10:06


Anônimo disse...
Faz sentido esta discussão sobre padronização.
Interessante a crônica da Rachel de Queiroz. Impressionante uma intelectual como ela levantar esse assunto há mais de meio século. C.Rocha de Floripa 2 de agosto de 2014 11:55


Anônimo disse...
O que acho engraçado é que muita gente se preocupa com altura e medidas no padrão e de repente uma jovem como Olivia Culpo é eleita Miss Universo.


Parabéns ao Roberto Macêdo, que do alto de sua sabedoria fala das coisas com muita propriedade. Stella 3 de agosto de 2014 08:02


Anônimo disse...
Daslan,


enquanto o concurso Miss Brasil estiver em mãos de pessoas erradas(quem é o senhor Hazzy para entender de beleza da mulher baiana e de cara escolher as cinco finalistas da competição? É vergonhoso e uma tremenda falta de respeito com o povo baiano)dificilmente a promoção vai sair do fundo do poço, onde se encontra atualmente.


A Band deveria entregar a coordenação nacional a uma pessoa séria, de reputação e idoneidade ilibadas e que entende de verdade do tema. Só vejo alguém com esse perfil: o jornalista, arquiteto e maior autoridade no assunto: ROBERTO MACÊDO.


Muciolo Ferreira - jornalista pernambucano e um ex-admirador dos concursos de misses.
4 de agosto de 2014 20:08


Roberto Macedo disse...
Muciolo, muito obrigado pela consideração, mas eu estou fora. Meu pai sempre repetia um ditado: "A lama só suja quem a revolve". Tô bem aqui na minha Bahia. E quero desencarnar sem medo do que vou encontrar do lado de lá. Sonho sim, em um dia estar trabalhando no Miss Brasil. Mas somente quando for um concurso reconhecido, sem denúncias, sem mal estar, num ambiente de trabalho do bem. Um forte abraço.
5 de agosto de 2014 13:06


Anônimo disse...
A gente ouve muitas fofocas, mas também escuta histórias de mau caratismo, favorecimento...


Não sei até onde vai parar isso, mas sinto que há pessoas do bem dando às costas para vários concursos de Miss.


J.(sou ex-patrocinador de um concurso de Miss)
6 de agosto de 2014 08:58


Anônimo disse...
A gente ouve muitas fofocas, mas também escuta histórias de mau caratismo, favorecimento...


Não sei até onde vai parar isso, mas sinto que há pessoas do bem dando às costas para vários concursos de Miss.


J.(sou ex-patrocinador de um concurso de Miss)
6 de agosto de 2014 08:58


DASLAN MELO LIMA disse...
Polêmica das misses nas ondas do rádio


Quem acabou de colocar mais fogo na discussão sobre as medidas e sobre o físico das mulheres participantes do mais clássico dos concursos de beleza, que é o das “Misses”, foi a apresentadora Erica Saraiva, no programa que comanda ao lado de Pio Medrado, na “Rádio Transamérica”.


O assunto ganhou repercussão depois que Boa Terra noticiou uma polêmica envolvendo comentários do presidente do Júri do “Miss Bahia” e o pesquisador sobre o fenômeno dos concursos, Roberto Macedo.


A polêmica iniciada na Bahia cresceu tanto que chegou ao ponto da coluna Boa Terra se transformar em referência em artigo “Miss Bahia 2014” da “Wikipédia”, a enciclopédia multilíngue com mais de 30 milhões de artigos baseada na web. A coluna começou a publicar o assunto na edição de 23 de julho, e continuou no dia seguinte, sendo repetida em blogs da Internet. Parte da abordagem, destacando que o Fernando Guerreiro é um diretor sem papas na língua, foi copiada em jornal diário de Salvador.


No programa da “Radio Transamérica”, ontem à tarde, os apresentadores Pio Medrado e Erica Saraiva convidaram Priscilla Cidreira, a “Miss Bahia 2013” e o pesquisador Roberto Macedo. Boa Terra foi citada várias vezes. Novamente Macedo insistiu na alteração de valores em relação às medidas das misses, criticando a TV Bandeirante, responsável pelo concurso no Brasil. “Este ano, a Band deu plenos poderes a um tal júri técnico formado por duas pessoas que vivem viajando pelo país e determinando em cada estado as cinco finalistas. Isso é um desrespeito com os concursos estaduais e abre um precedente perigosíssimo se esse júri técnico quiser eleger determinada candidata”.


Fonte: TRIBUNA DA BAHIA, 08/08/2014
8 de agosto de 2014 05:49


Anônimo disse...
É,esse padrão magro já nem está mais no MU(pelo menos do ano passado)quando escolheram 5 misses,todas latinas(é um padrão),com corpos não magros e sem as medidas q harmonizavam hemisfério Norte e Sul.Miss BA atual,era uma das favoritas mas extremamente magra.vi uma reportagem q engordou,depois do concurso,5kg.Se tiver boa oratória,vai ferver a final.Abraços,japão.PS.Quanto à Culpo,aquele mortinício deixou os EEUU sem cara e precisavam apagar,urgentemente.O desfile de gala foi sacudindo o vestido...cooparada às outras finalistas,era um ratinho(como a filipina) e simplória;mas observei q alternam esse tipo com mulherão.Esse ano devem eleger uma do tipo Miss BA,GO,RN...ou MG,se Scheibb for eleita(linda e tem experiência do ano passado). 18 de agosto de 2014 23:25


http://passarelacultural.blogspot.com.br/2014/08/sessao-nostalgia.html

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